IFPA fortalece internacionalização da Rede Federal em intercâmbio acadêmico com a Universidad de Buenos Aires
O Instituto Federal do Pará (IFPA), por meio do Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura (NUPEC/IFPA), realizou, entre abril e junho de 2026, a Atividade de Intercâmbio Acadêmico Brasil-Argentina “Tecnología, Cultura y Conocimiento”, em parceria com a Facultad de Filosofía y Letras da Universidad de Buenos Aires (FFyL/UBA). A ação reuniu estudantes, docentes e pesquisadores brasileiros e argentinos em encontros virtuais dedicados ao debate sobre tecnologias digitais, inteligência artificial, educação, cultura, conhecimento, cidadania digital e práticas sociais modificadas pelas tecnologias.
A atividade foi desenvolvida no âmbito da disciplina “Tecnología, Cultura y Conocimiento”, da Universidad de Buenos Aires, coordenada pelo professor Dr. Alejandro Daniel Spiegel, Professor Titular de Informática em Ciências da Educação da UBA, com participação do Prof. Mg. Rubén Carruego e da Profa. Esp. Camila Kantt. No Brasil, a articulação foi realizada pelo Prof. Dr. Breno Rodrigo de Oliveira Alencar, professor do IFPA/Campus Belém, coordenador do NUPEC/IFPA, professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCOM/UFPA) e pós-doutorando na Facultad de Filosofía y Letras da UBA.
A iniciativa surgiu como desdobramento do estágio pós-doutoral desenvolvido na Universidad de Buenos Aires, autorizado pelo IFPA por meio da Portaria nº 1583/REITORIA/IFPA. A proposta articula atividades de ensino, pesquisa, extensão, divulgação científica e internacionalização, em diálogo com os estudos desenvolvidos pelo NUPEC sobre cultura digital, inteligência artificial e educação profissional e tecnológica.
A experiência também dialoga com a Política de Internacionalização do IFPA, estabelecida pela Resolução CONSUP/IFPA nº 1365/2025, ao promover intercâmbio virtual, cooperação acadêmica internacional, internacionalização curricular, formação intercultural, divulgação científica e circulação de saberes entre instituições latino-americanas. Nesse sentido, a atividade evidencia a capacidade da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica de produzir conhecimento crítico e socialmente situado sobre os impactos das tecnologias digitais na educação.
Intercâmbio virtual, formação crítica e diálogo latino-americano
Ao longo de quatro encontros virtuais, realizados nos dias 14 de abril, 28 de abril, 5 de maio e 16 de junho de 2026, estudantes brasileiros participaram de debates, exposições e atividades formativas com estudantes da UBA. A proposta não se limitou a uma palestra ou apresentação institucional. Ela foi construída como uma experiência de intercâmbio acadêmico, com participação ativa dos convidados brasileiros como interlocutores, debatedores e avaliadores externos dos trabalhos produzidos pelos estudantes argentinos.
A atividade reuniu 16 participantes brasileiros registrados, vinculados ao IFPA, à Universidade Federal do Pará (UFPA), à Universidade Federal do Paraná (UFPR), ao Colégio Pedro II, à Universidade de São Paulo (USP) e a outras instituições de ensino e pesquisa. Também participaram estudantes da disciplina “Tecnología, Cultura y Conocimiento”, da FFyL/UBA, que apresentaram trabalhos sobre inteligência artificial, cultura livre, cidadania digital, interfaces, Big Data, práticas sociais modificadas, realidade ampliada, software livre e direitos cidadãos.
Além do NUPEC/IFPA e da UBA/FFyL, a ação dialogou com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM/UFPA), o Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA/UFPA), o Museu Paraense Emílio Goeldi/Projeto Vozes e o Laboratório de Tecnologias para Socialização do Conhecimento (LABTEC/UBA), coordenado pelo Prof. Alejandro Spiegel.
A atividade também se articula ao projeto de pesquisa “Tecnosocialidades Amazônicas: rituais de sociabilidade, mídia e poder na era das plataformas sociodigitais”, desenvolvido por Breno Rodrigo de Oliveira Alencar junto ao PPGCOM/UFPA. O projeto investiga processos socioculturais atravessados pelas plataformas digitais, pelas mídias e pelas novas formas de mediação tecnológica, com atenção às experiências amazônicas e aos modos como sujeitos, instituições e coletivos produzem conhecimento, pertencimento, sociabilidade e poder em ambientes digitais.
Segundo o Prof. Dr. Breno Rodrigo de Oliveira Alencar, a experiência permitiu aproximar estudantes brasileiros e argentinos em torno de uma questão comum: como pensar criticamente as tecnologias digitais e a inteligência artificial a partir da educação pública, das desigualdades sociais e dos desafios do Sul Global.
“O intercâmbio mostrou que a internacionalização pode ocorrer de modo curricular, virtual e colaborativo, sem perder densidade acadêmica. A partir da Amazônia, o IFPA participou de um debate internacional sobre tecnologia, cultura e conhecimento, contribuindo para pensar a inteligência artificial não apenas como ferramenta, mas como fenômeno social, cultural, político e educacional”, destacou.
Educação, tecnologia e inteligência artificial
Os encontros tiveram como eixo central a reflexão crítica sobre as mediações tecnológicas contemporâneas. Entre os temas discutidos estiveram a relação entre inteligência artificial e educação, os vieses algorítmicos, a confiança em respostas automatizadas, a autonomia intelectual dos estudantes, as regras de funcionamento das interfaces digitais, o direito ao conhecimento, a cultura livre e as transformações das práticas sociais em ambientes digitais.
No primeiro encontro, realizado em 14 de abril, os participantes discutiram interfaces, algoritmos, cidadania digital, regras de jogo das plataformas e formação crítica diante das tecnologias digitais. Em 28 de abril, o debate avançou para questões como inovação tecnológica, confiança, autonomia intelectual e práticas escolares em contextos atravessados pela inteligência artificial. Já nos encontros de 5 de maio e 16 de junho, estudantes da UBA apresentaram trabalhos avaliativos da disciplina, com comentários e perguntas de participantes brasileiros.
No Parcial 2 da disciplina, apresentado em junho, cada estudante argentino produziu um dispositivo de socialização de uma problemática relacionada à disciplina. Os trabalhos envolveram fundamentação teórica, definição de público, elaboração de site interativo, criação de flyer, produção de vídeo e planejamento de campanha de divulgação. Os materiais foram socializados em ambiente digital colaborativo, por meio de Padlet, e debatidos com a participação dos convidados brasileiros.
Entre os temas dos trabalhos apresentados estiveram: os vieses da inteligência artificial; software e cultura livre; substituição de pessoas por aplicações de IA no mundo do trabalho; potencialidade democrática das tecnologias; recursos informáticos como amplificadores da cognição; Big Data e territorialidade; cidadania digital; regras de jogo das interfaces; práticas sociais modificadas; realidade ampliada; internet das coisas; e delegação cognitiva em sistemas de IA.
Internacionalização da Educação Profissional e Tecnológica
A realização do intercâmbio reforça o papel do IFPA na promoção da internacionalização da Educação Profissional e Tecnológica a partir da Amazônia. Ao articular pesquisa, ensino, extensão e cooperação internacional, a atividade contribuiu para ampliar a presença do IFPA em redes acadêmicas latino-americanas e fortalecer o diálogo entre a Rede Federal e instituições universitárias estrangeiras.
A ação está vinculada ao projeto “Cultura Digital e Inteligência Artificial na Educação Profissional e Tecnológica: usos, impactos e tensões no processo de ensino-aprendizagem no Instituto Federal do Pará, Campus Belém”, desenvolvido no âmbito do NUPEC/IFPA e associado ao Edital PIBICTI/PROPPG/IFPA/CNPq. Também se articula ao projeto pós-doutoral “Mediación cultural y tecnológica: una aproximación antropológica comparada del uso de inteligencia artificial en contextos escolares periféricos del Sur Global”, desenvolvido junto à FFyL/UBA.
Para o NUPEC/IFPA, a experiência demonstra que a internacionalização não se restringe à mobilidade física, podendo ocorrer também por meio de práticas virtuais de colaboração acadêmica, produção compartilhada de conhecimento, circulação de pesquisas e construção de agendas comuns entre instituições latino-americanas.
Nesse sentido, o intercâmbio contribui para ampliar o debate sobre os impactos da inteligência artificial na educação, especialmente em contextos marcados por desigualdades territoriais, culturais, linguísticas e tecnológicas. A partir da realidade amazônica, o IFPA levou ao diálogo internacional experiências e preocupações relacionadas à formação crítica, à cidadania digital, à democratização do conhecimento e ao uso ético das tecnologias na educação.
Avaliação positiva dos participantes
Ao final da experiência, estudantes da UBA responderam a um formulário de avaliação sobre o intercâmbio. As respostas indicam avaliação amplamente positiva da atividade, destacando seu caráter formativo, intercultural e colaborativo. Palavras como “aprendizagem”, “diálogo”, “diversidade”, “colaboração”, “enriquecimento”, “formação”, “redes”, “abertura” e “prática” foram usadas para sintetizar a experiência.
Para Melina Pomis, estudante da UBA, a atividade ofereceu novos modos de compreender a educação e a tecnologia. “A experiência me deu novos ‘lentes’ para ver a educação e a tecnologia”, afirmou.
Giuliana Abril Cingolani destacou a relevância de pensar conjuntamente com estudantes e pesquisadores de outro país. Para ela, o intercâmbio foi “uma oportunidade de pensar em conjunto com outra região que tem problemáticas parecidas e, ao mesmo tempo, particulares”.
María Evelyn Cuevas Benítez ressaltou que o diálogo permitiu reconhecer preocupações comuns. “Apesar das diferenças culturais e de idioma, compartilhamos preocupações e interesses similares em relação à educação, à tecnologia e à sociedade”, avaliou.
Já Carina Sinisi destacou a dimensão colaborativa da experiência. Segundo ela, “o diálogo permitiu construir conhecimento de maneira colaborativa e reafirmou a importância dos intercâmbios regionais para a formação acadêmica”.
As avaliações também apontaram sugestões para futuras edições, como ampliação do tempo de intercâmbio, criação de grupos menores de trabalho, realização de atividades colaborativas, produção de materiais bilíngues e uso de ferramentas de apoio linguístico, como legendas automáticas e materiais em português e espanhol.
Produtos, divulgação e desdobramentos
Entre os produtos da atividade estão os dispositivos digitais produzidos pelos estudantes da UBA, os registros em Padlet, os relatos de avaliação dos participantes, as planilhas de certificação, o relatório institucional do intercâmbio e materiais de divulgação científica em elaboração.
Os produtos e registros autorizados da experiência serão divulgados progressivamente no site e nos perfis oficiais do NUPEC/IFPA, com o objetivo de socializar os resultados do intercâmbio, ampliar o acesso aos materiais produzidos e fortalecer a divulgação científica sobre educação, tecnologias digitais, inteligência artificial e internacionalização acadêmica. A divulgação respeitará as autorizações concedidas pelos participantes e os critérios institucionais de uso de imagem, identificação e circulação pública dos materiais.
A experiência também deverá resultar em publicações acadêmicas e de divulgação, incluindo artigos, postagens institucionais, textos de sistematização e, futuramente, possibilidade de organização de livro ou capítulo sobre internacionalização, educação, tecnologias digitais e inteligência artificial no Sul Global.
Outro desdobramento previsto é a continuidade do diálogo entre IFPA e UBA, com a possibilidade de realização de novos encontros, seminários e Ateneos Internacionais voltados ao debate sobre adolescências, inteligência artificial, práticas educativas e ações universitárias socioterritoriais no Brasil e na Argentina.
A experiência também abre caminho para avaliação institucional de uma possível formalização de parceria entre o IFPA e a Universidad de Buenos Aires, respeitados os trâmites próprios da instituição. A proposta poderá envolver a construção de memorando de entendimento, acordo de cooperação ou outro instrumento adequado, a ser analisado pelo Departamento de Relações Internacionais do IFPA, pela Pró-Reitoria de Extensão e pelas instâncias competentes da Universidad de Buenos Aires.
Para o IFPA, a iniciativa consolida um importante movimento de internacionalização acadêmica, científica e extensionista, reforçando a presença da instituição em redes latino-americanas de produção de conhecimento e reafirmando o compromisso da Rede Federal com uma educação pública, crítica, democrática e socialmente referenciada.
Serviço
Atividade: Intercâmbio Acadêmico Brasil-Argentina “Tecnología, Cultura y Conocimiento”
Período: abril a junho de 2026
Formato: virtual
Instituições: IFPA/NUPEC, Universidad de Buenos Aires/Facultad de Filosofía y Letras, UFPA, UFPR, Colégio Pedro II, USP, Museu Paraense Emílio Goeldi/Projeto Vozes e instituições parceiras
Coordenação no Brasil: Prof. Dr. Breno Rodrigo de Oliveira Alencar – IFPA/Campus Belém, NUPEC/IFPA e PPGCOM/UFPA
Coordenação na Argentina: Prof. Dr. Alejandro Daniel Spiegel – FFyL/UBA
Equipe da disciplina: Prof. Mg. Rubén Carruego e Profa. Esp. Camila Kantt
Temas centrais: tecnologia, cultura, conhecimento, inteligência artificial, cidadania digital, educação, cultura livre, interfaces, Big Data e práticas sociais modificadas pelas tecnologias
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